A cinderela sombria: terror e contos de fadas se encontram no cinema

A clássica história da Cinderela ganha uma roupagem inesperada e sombria com a estreia de “A Meia-Irmã Feia” nos cinemas brasileiros. Longe dos contos de fadas açucarados, a produção promete perturbar e impactar o público com uma versão ácida e grotesca da tradicional narrativa.

Aclamado no Festival de Sundance, onde conquistou 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme vem sendo comparado a “A Substância”, sucesso de 2024 estrelado por Demi Moore e indicado a cinco categorias no Oscar. As semelhanças residem no gênero body horror (terror corporal) e na crítica mordaz às pressões estéticas impostas às mulheres.

A trama acompanha Elvira (Lea Myren), a invejosa meia-irmã de Cinderela, obcecada em conquistar o Príncipe Encantado. Disposta a tudo para se igualar à beleza e elegância da irmã, Elvira embarca em um caminho tortuoso, marcado por mutilações e atitudes extremas.

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Em seu projeto de estreia como diretora, Emilie Blichfeldt equilibra elementos macabros da versão original dos irmãos Grimm com referências subversivas ao clássico da Disney.

Um dos momentos mais impactantes e controversos do filme é quando Elvira engole um ovo de tênia na busca pelo corpo perfeito. Segundo a diretora, a cena representa a internalização do olhar objetificador, com o verme simbolizando a autodestruição da personagem.

Apesar das cenas grotescas, presentes principalmente no ato final, o filme constrói uma narrativa envolvente, onde a ingenuidade e a esperança de Elvira despertam compaixão e tornam as cenas de humilhação ainda mais dolorosas.

A Cinderela, Agnes (Thea Sofie Loch Næss), ganha novas camadas e se distancia da imagem tradicional. Com inteligência e sagacidade, a verdadeira princesa assume o protagonismo em momentos cruciais, deixando sua marca na história.

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“A Meia-Irmã Feia” oferece uma experiência cinematográfica única, combinando elementos de terror e contos de fadas. A produção tem potencial para se destacar nas premiações, inclusive no Oscar de 2026, em categorias como Melhor Roteiro Original, Fotografia, Figurino e Direção de Arte, sendo um dos primeiros filmes disponibilizados aos votantes.